Fits barrou milhares de ataques em seis meses, diz CEO em debate da PAGOS sobre segurança em pagamentos
Em painel sobre segurança em pagamentos, CEO do Fits, Otávio Farah, diz que a fintech também protege clientes cujas defesas falham; nova regra do Open Finance aumenta o dever de vigiar parceiros

Otávio Farah, cofundador e CEO do Fits. Foto: Divulgação/Fits
O Fits, fintech de infraestrutura de pagamentos, registrou milhares de tentativas de ataque no primeiro semestre de 2026 e nenhuma foi bem-sucedida, segundo o cofundador e CEO Otávio Farah. A segurança em pagamentos foi o tema do painel “O poder dos dados e o preço de não protegê-los”, na reunião mensal da PAGOS (Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos) de 28 de outubro, em São Paulo, divulgado pela associação e noticiado pela Startupz nesta quarta-feira (4).
Para Farah, a proteção não pode parar nos sistemas da própria empresa. “Nós temos as nossas proteções, mas os nossos clientes têm que ter as deles e, mesmo que as deles falhem, nós temos que protegê-los do problema”, disse. Ele contou que, diante de sinais de que uma instituição cliente poderia estar sob ataque, o Fits adotou medidas preventivas para bloquear a entrada de recursos que poderiam estar ligados à ocorrência.
O painel teve Roberto Basso, diretor de tecnologia da Maxxi, e Linconl Rocha, presidente da PAGOS, com mediação de Luís Cabañas, sócio e CRO da AIKNOW. Basso disse que guardar dados, por si só, não gera valor: “Ele gera valor quando está ligado a uma decisão”, como conceder crédito, aprovar transações, precificar risco e prevenir fraudes. Na discussão sobre fornecedores, Cabañas resumiu: “Terceirizar o serviço não terceiriza a responsabilidade.” Rocha defendeu mais transparência e capacitação, principalmente para as empresas menores.
O pano de fundo é o volume. Pelos dados abertos do Banco Central, o Pix movimentou R$ 3,23 trilhões em 7,17 bilhões de transações em setembro de 2026.
“Terceirizar o serviço não terceiriza a responsabilidade.”
Luís Cabañas, sócio e CRO da AIKNOW, em painel da PAGOS
O debate coincide com a Resolução Conjunta nº 21, do CMN e do Banco Central, de 22 de outubro, que mudou as regras das parcerias no Open Finance: o cliente passa a dar consentimento para cada empresa parceira, a instituição que repassa os dados ganha mais deveres de monitoramento sobre essas parceiras e a norma prevê formas de interromper o compartilhamento quando houver risco à segurança. A PAGOS informou que vai aprofundar o tema no seu Comitê de Cibersegurança, com representantes do Fits e de outras empresas do setor.
Por que importa. Segurança virou parte do produto de quem vende infraestrutura de pagamentos. Com a nova regra do Open Finance cobrando o monitoramento de parceiros, a fintech que oferecer antifraude, bloqueio preventivo e governança de dados como serviço para instituições menores tem um mercado que só cresce.
Fonte: Startupz (comunicado da PAGOS) e Banco Central. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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