Serasa: inadimplência recorde atinge 84,2 milhões de pessoas em setembro, 51,1% dos adultos, e financeiras passam contas de luz e água
Dado de setembro do Mapa da Inadimplência da Serasa é o maior da série; dívidas somam R$ 597,4 bilhões e a média por pessoa chega a R$ 7.093,83. O que muda para quem dá crédito

Sede da Serasa Experian em São Carlos (SP). Foto: Leticia Ikeda/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A inadimplência recorde chegou a 84,2 milhões de brasileiros em setembro, o equivalente a 51,1% da população adulta, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, divulgado na segunda-feira (2). É o maior número e o maior percentual da série histórica, iniciada em 2016. Em agosto, eram 83,9 milhões de pessoas negativadas.
Na comparação com setembro de 2025, o total de inadimplentes subiu 6,4%, segundo os dados publicados pelo Poder360. Desde 2020, a alta acumulada é de 34,17%. As dívidas em atraso somam R$ 597,4 bilhões, 0,90% a mais que em agosto, e o valor médio por pessoa chegou a R$ 7.093,83, cerca de 4,4 salários mínimos.
A composição das dívidas mudou. Bancos e cartões de crédito seguem no topo, com 27,16% do total. Pela primeira vez, porém, as financeiras ficaram em segundo lugar: a fatia delas subiu de 20,14% para 20,66% e passou a das contas básicas de água, luz e gás, que caiu de 20,71% para 20,32%.
Do total de inadimplentes, 50,5% são mulheres e 49,5% são homens. Por idade, quem tem de 41 a 60 anos responde por 35,7%, seguido pela faixa de 26 a 40 anos (33,2%), pelos idosos acima de 60 anos (20,1%) e pelos jovens de 18 a 25 anos (11%). O Estado de São Paulo concentra 20,1 milhões de inadimplentes.
“Chegamos a um momento em que mais da metade da população adulta brasileira enfrenta a inadimplência. Por isso, ampliar o acesso à renegociação é fundamental para que milhões de pessoas tenham a oportunidade de reorganizar suas finanças.”
Aline Maciel, diretora da Serasa, em nota à imprensa
Segundo a Serasa, o ritmo de crescimento desacelera desde abril, mas o número continua subindo. O levantamento saiu junto com o anúncio da 36ª edição do Feirão Limpa Nome, que começou na terça-feira (3) e vai até 6 de dezembro, com 3,3 mil empresas parceiras, mais de 750 milhões de ofertas (14% a mais que na edição do mesmo período do ano passado) e descontos de até 99%. Na edição anterior, foram fechados mais de 10,2 milhões de acordos.
Para quem empresta, o dado mostra que bancos, cartões e financeiras concentram juntos 47,82% das dívidas em atraso. O Feirão Limpa Nome deste ano reúne o número recorde de 3,3 mil empresas parceiras, segundo a Serasa.
Por que importa. Com 84,2 milhões de pessoas negativadas, o crédito que cresce é o que consegue enxergar além do nome sujo. Fintech que usa dados do Open Finance e do fluxo de caixa para dar score, que vende renegociação digital ou que compra e cobra carteira inadimplente tem um mercado de R$ 597 bilhões à frente.
Fonte: Poder360 / Serasa. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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