André Street, fundador da Stone, tem carteira de quase US$ 200 milhões em startups e mais de US$ 200 milhões em saídas
Desde 2010, Street investiu ou se envolveu em cerca de 40 startups, como Brex, Cora e QI Tech, e entra nelas quase como um cofundador

André Street, fundador da Stone. Ilustração: Reprodução/Exame
André Street, fundador da Stone, montou em paralelo à empresa de maquininhas uma carteira de participações em startups que vale perto de US$ 200 milhões, segundo reportagem do Brazil Journal publicada nesta quarta-feira (4). O valor provavelmente faz dele o maior investidor pessoa física de venture capital do Brasil, em número de investidas e em valor da carteira.
Desde 2010, Street investiu ou se envolveu diretamente em cerca de 40 startups, entre elas Brex, Cora, QI Tech, Enter, Trinus, Livemode e On Running. Cerca de 20 continuam na carteira. Os primeiros cheques vieram em 2010, depois da venda da Braspag, sua primeira empresa de pagamentos, e antes da fundação da Stone, em 2012. Nessa época, ele apostou em outras duas startups de pagamentos, a Moip e a CloudWalk.
Os US$ 200 milhões são o valor estimado das participações que ainda estão na carteira, calculado pela equipe de Street como se ela fosse um fundo de venture capital. Segundo Danilo Kamiji, que trabalha com Street nas startups, vendas de participações e outras distribuições já somaram mais de US$ 200 milhões ao longo dos anos. O total investido não pode ser reconstruído, porque os primeiros cheques foram reciclados a cada saída.
A regra de entrada é declarada: a participação precisa ter potencial de valer pelo menos US$ 20 milhões em três a cinco anos e de devolver de 10 a 20 vezes o capital. A fatia costuma ficar perto de 5%, mas passa bastante dos dois dígitos quando a relação se aproxima de uma cofundação. Os primeiros aportes chegaram a US$ 50 mil; hoje, mesmo os maiores raramente passam de US$ 5 milhões.
“O negócio anda sozinho. As distribuições servem para os reinvestimentos e ainda sobra bastante.”
André Street, fundador da Stone, ao Brazil Journal
O dinheiro é quase secundário no modelo. Street entra com tempo: ajuda os fundadores a definir produto, contratar, montar a estratégia comercial, captar e abrir portas com clientes e investidores, como uma espécie de cofundador tardio que recebe participação por isso. “Essa estratégia envolve mais trabalho e menos capital do que as pessoas imaginam”, disse Kamiji.
A QI Tech é o exemplo citado. No Natal de 2017, Pedro Mac Dowell mandou um e-mail para Jorge Paulo Lemann com a ideia de uma “AWS do crédito”, e Lemann sugeriu que ele procurasse Street. “Lembro que pensei: onde tem payments, vai ter crédito”, disse Street. Ele também indicou cerca de dez profissionais da Stone para a startup, e Mac Dowell diz falar com ele de uma a três vezes por semana.
Um dos maiores acertos foi a Brex. Street conheceu Henrique Dubugras e Pedro Franceschi ainda adolescentes, quando a Stone comprou a Pagar.me, fundada pela dupla, e voltou a investir quando os dois criaram a Brex nos Estados Unidos. Também houve perdas: cerca de US$ 2,5 milhões na americana Sightline, de pagamentos para jogos, hoje marcada a zero, e cerca de US$ 1 milhão na Brain, de recrutamento, devolvida ao empreendedor depois de cerca de um ano.
A operação funciona dentro do escritório da LTS, family office de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, mas de forma independente. Em alguns negócios, sócios e famílias ligados à LTS coinvestem, decidindo caso a caso; não há fundo comum. Street diz acompanhar de perto só cinco ou seis projetos ao mesmo tempo.
Por que importa. Street mostra que, em fintech, a experiência de quem já montou uma empresa de pagamentos vale tanto quanto o cheque: ele entra cedo, com pouco dinheiro e muito tempo, e ganha fatias que podem valer US$ 20 milhões. Para quem está montando fintech de crédito ou pagamentos, a lição da QI Tech é que onde há pagamento, há crédito, e foi dessa tese que nasceu a "AWS do crédito".
Fonte: Brazil Journal. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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