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Pagamentos

Pix já paga a China no varejo, mas importações de US$ 38,5 bilhões no semestre ainda dependem do SWIFT, diz diretor da Coins.xyz

Em artigo no Finsiders, Guilherme Bissoli defende um corredor Pix-China liquidado em stablecoin e diz que ele chegará ao B2B em etapas, puxado por empresas de pagamento, não por bancos centrais

Por Redação Mundo das Fintechs · 04/11/2026 · 3 min de leitura
Pix já paga a China no varejo, mas importações de US$ 38,5 bilhões no semestre ainda dependem do…

Guilherme Bissoli, diretor-executivo da Coins.xyz no Brasil. Foto: Divulgação/Blockdrops

O Pix já é o caminho do dinheiro quando o consumidor brasileiro compra numa plataforma asiática de comércio eletrônico, mas a empresa que importa da China segue presa ao câmbio tradicional. É o que argumenta Guilherme Bissoli, diretor-executivo da Coins.xyz no Brasil, em artigo de opinião publicado pelo Finsiders nesta terça-feira (3).

No varejo, segundo ele, o comprador paga em reais por Pix, em segundos, e um agregador de pagamentos junta milhões dessas transações, converte e repassa os recursos ao vendedor chinês. Já uma importadora que precisa pagar US$ 200 mil a um fabricante em Shenzhen fecha contrato de câmbio, respeita a janela de corte do banco e vê o dinheiro passar por correspondentes em dólar antes de virar yuan.

A diferença pesa porque a China é a maior parceira comercial do Brasil. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o país somaram o recorde de US$ 58,3 bilhões e as importações chegaram a US$ 38,5 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços citados no artigo.

A proposta de Bissoli é um “corredor unificado”: uma camada de liquidez compartilhada entre o Pix, do lado brasileiro, e os canais locais que os agregadores usam com seus lojistas, do lado chinês, com uma stablecoin atrelada ao dólar como ativo de liquidação. Nesse modelo, o câmbio acontece uma vez só. No Brasil, a Resolução BCB 521 enquadra esse pagamento internacional com stablecoin como operação de câmbio, com identificação das partes e finalidade declarada.

“O consumidor brasileiro já paga a China sem pensar no caminho do dinheiro. A empresa brasileira deveria poder fazer o mesmo.”

Guilherme Bissoli, da Coins.xyz Brasil, em artigo no Finsiders

O corredor também terá de conviver com a Resolução BCB 584, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e determina que transferências de ativos virtuais acima do equivalente a US$ 10 mil para entidades no exterior só sejam executadas 24 horas depois do aporte na carteira. Para o executivo, mesmo com essa retenção, o fluxo segue competitivo diante de um câmbio que pode levar dias úteis até o destino.

Segundo Bissoli, o corredor não nascerá de um acordo entre bancos centrais, e sim de agregadores e empresas de pagamento que já têm lojistas dos dois lados. Ele escreve que, na experiência da Coins.xyz, a maioria dos clientes no Brasil vem da Ásia: empresas que recebem em reais, via Pix, e precisam liquidar do outro lado do mundo. A importadora, diz, continua no SWIFT porque o banco de relacionamento oferece crédito junto com o câmbio e o compliance conhece aquele fluxo há décadas.

A previsão do executivo é que o modelo chegue ao B2B em etapas: primeiro nas empresas de pagamento que já operam os dois lados, depois nos importadores de tíquete médio e, por último, nas grandes empresas, que vão exigir a mesma formalização de um contrato de câmbio. A Coins.xyz, plataforma de criptoativos com origem nas Filipinas, informou em outubro que pediria ao Banco Central autorização para operar como prestadora de serviços de ativos virtuais no país.

Por que importa. Quem paga dezenas de fornecedores chineses por ano ganha capital de giro com cada dia a menos entre o pagamento e o embarque, e as importações de US$ 38,5 bilhões no semestre em grande parte ainda dependem do câmbio bancário. A fintech que oferecer ao importador médio o mesmo Pix que o consumidor já usa, com contrato, registro e conciliação, cobra pelo câmbio e pela rapidez num mercado que os bancos dominam mais por hábito do que por tecnologia.

Fonte: Finsiders (artigo de Guilherme Bissoli). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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