Abrasel diz que vale-refeição em qualquer maquininha não estará pronto no sábado (7), e bares pagam até 7% no auxílio-alimentação
Prazo de 360 dias do Decreto 12.712 obriga cartões de VR e VA a funcionar em qualquer maquininha habilitada; associação de bares diz que operadoras e credenciadoras ainda não integraram os sistemas

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel. Foto: Caio Veloso/Abrasel
A partir do sábado (7), os cartões de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) terão de ser aceitos em qualquer maquininha habilitada para benefícios, independentemente da bandeira da operadora. O prazo é o último do Decreto 12.712, publicado em 12 de novembro de 2025, que deu 360 dias para a chamada interoperabilidade plena. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), porém, diz que o mercado não está pronto.
“Até onde temos conhecimento, ela não vai funcionar em novembro. Os sistemas não estão integrados e as empresas não conhecem o sistema do governo”, afirmou Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, segundo o Sou Brasília. A entidade diz apoiar a mudança, mas relata que grandes empresas de benefícios ouvidas por ela afirmam não ter condições de operar na data. O gargalo apontado é o canal exclusivo de processamento dos vales, que, segundo as próprias empresas de maquininhas, ainda não opera plenamente; parte das transações passa como débito ou crédito.
Na prática, o cartão de uma operadora passa a funcionar na maquininha de qualquer credenciadora, como já acontece com o cartão de crédito. O estabelecimento não precisa trocar de equipamento nem paga custo extra, porque a integração cabe às operadoras dos benefícios em parceria com as credenciadoras. A regra vale para os comércios habilitados a receber vales, e o saldo continua restrito a alimentos e refeições, segundo a Agência Brasil.
As outras etapas do decreto já valem: taxa máxima de 3,6% cobrada do estabelecimento, com intercâmbio de até 2%, e repasse em até 15 dias corridos desde fevereiro; e abertura dos arranjos com mais de 500 mil trabalhadores desde maio. O texto também proíbe exclusividade de rede ou bandeira e cashback. A fiscalização é do Ministério do Trabalho e Emprego.
“Até onde temos conhecimento, ela não vai funcionar em novembro. Os sistemas não estão integrados e as empresas não conhecem o sistema do governo”
Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel
A Abrasel aponta uma distorção. O teto de 3,6% vale só para os vales do PAT. O auxílio-alimentação criado pela reforma trabalhista de 2017 ficou fora do decreto, sem limite de taxa nem de prazo, e bares e restaurantes pagam de 6% a 7%, às vezes mais, para aceitá-lo. Segundo a entidade, parte das empresas migrou operações para essa modalidade depois da regulamentação, e o comerciante nem sempre sabe qual tipo de vale está recebendo.
Operadoras tradicionais contestam na Justiça os limites de tarifa do decreto. A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) diz que o arranjo aberto pode dificultar o controle dos estabelecimentos credenciados. Do outro lado, fintechs de benefício flexível, como Flash, Caju, Swile e iFood Benefícios, defendem a abertura, como mostrou o Mundo das Fintechs em 24 de outubro. Se uma maquininha recusar o vale depois do dia 7, a orientação é registrar o problema com a emissora do cartão e com o estabelecimento e acionar o Ministério do Trabalho.
Por que importa. Com o vale aceito em qualquer maquininha, a rede credenciada deixa de ser a barreira que protegia as grandes operadoras, e a disputa passa a ser por quem conquista a empresa contratante com app, taxa e serviço. Quem resolver a integração com as credenciadoras e a conciliação para o restaurante, que hoje não sabe qual vale está recebendo, tem um mercado inteiro de comerciantes para atender.
Fonte: Sou Brasília e Agência Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
Compartilhar no WhatsAppAs notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- REGULAÇÃO CRIPTO
Uphold deixa o Brasil por causa da licença cripto do Banco Central e dá até 30 de novembro para saques
Corretora avisou clientes por e-mail que vai encerrar os serviços no país; staking será devolvido até 6 de novembro, e usuários do navegador Brave perdem a via de saque das recompensas em BAT

- CRÉDITO IMOBILIÁRIO
FINU11, fundo imobiliário das centrais do Sicoob gerido pela MAG, estreia em loteamento de R$ 161 milhões e mira R$ 1 bilhão
Criado pela Central Sicoob Uni e pelo Sicoob Nova Central com R$ 100 milhões, o FII é o primeiro a usar dinheiro de cooperativas para financiar incorporadoras e loteadoras, segundo a gestora

- BENEFÍCIOS
iFood Benefícios movimenta R$ 1 bilhão por mês e paga até R$ 10 mil por indicação na briga de R$ 150 bilhões com BTG, C6 e VR
Com o teto de 3,6% nas taxas e a interoperabilidade dos cartões, bancos entram no vale-refeição: o BTG criou o BTG Benefícios, o C6 comprou a Alymente e a VR já comprou quatro startups

- OPINIÃO
Ale Garcia, co-CEO da Sólides: “O SaaS morreu”, e, para ele, a IA põe o software para disputar o orçamento da operação, não só o de tecnologia
Em artigo no TI Inside, o cofundador da Sólides defende que agentes de IA levam o setor do Software as a Service para o Service as a Software, cobrado pelo trabalho entregue e não por usuário

