Transfeera vê mercado de BaaS no Brasil saltar 283% até 2030, de US$ 538 milhões para US$ 2,06 bilhões
Para Victor Papi, general manager da instituição de pagamento do grupo PayRetailers, a maior oportunidade está no B2B, em plataformas que pagam milhares de fornecedores e parceiros

Victor Papi, general manager da Transfeera (Luciano Alves/Divulgação)
O mercado brasileiro de Banking as a Service (BaaS) deve passar de US$ 538 milhões em receita, em 2022, para US$ 2,06 bilhões em 2030, alta acumulada de cerca de 283% e crescimento médio de 18,3% ao ano, segundo estudo da americana Grand View Research citado pela Transfeera, instituição de pagamento do grupo PayRetailers, nesta terça-feira (27).
A empresa liga o avanço ao embedded finance, modelo em que pagamentos, contas e crédito passam a fazer parte de plataformas que não são do setor financeiro, como varejo, logística, mobilidade e educação. Levantamento da PayNXT360 citado pela Transfeera projeta o embedded finance no Brasil em US$ 18,33 bilhões em 2030.
“Uma plataforma que já concentra clientes, fornecedores ou prestadores de serviço pode encontrar valor em incorporar pagamentos, contas ou crédito à sua própria operação”, disse Victor Papi, general manager da Transfeera. Para ele, a oportunidade mais relevante está no B2B: empresas que administram milhares de fornecedores ou plataformas que fazem repasses a redes extensas de parceiros, com ganho na movimentação dos recursos e na conciliação.
O executivo também aponta a regulação como vetor. Em novembro de 2025, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional regulamentaram o BaaS pela Resolução Conjunta nº 16, que definiu os papéis de prestadoras e tomadoras e fixou exigências de governança, risco, segurança de dados e prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro. Desde setembro de 2026, as prestadoras registram no Unicad as empresas tomadoras com contratos vigentes. “O BaaS não pode ser tratado apenas como uma conexão tecnológica entre duas empresas”, afirmou Papi.
“Estamos entrando em uma etapa em que a pergunta deixa de ser 'qual produto financeiro eu posso oferecer?' e passa a ser 'qual problema da minha operação eu consigo resolver?'”
Victor Papi, general manager da Transfeera, à Gazeta da Semana
A próxima fase, segundo a Transfeera, deve trazer operações mais específicas por setor, como pagamento a fornecedores, repasses, contas para usuários, antecipação de recebíveis e crédito. Neste mês, a empresa, que soma mais de R$ 70 bilhões transacionados, anunciou a evolução da sua API de BaaS para a abertura de contas PJ de terceiros.
Por que importa. Por que importa: o BaaS vira dinheiro quando resolve a dor de um setor específico. Quem monta fintech em cima de uma infraestrutura pronta para pagar fornecedores, fazer repasses ou antecipar recebíveis de um nicho B2B entra num mercado que deve quase quadruplicar até 2030, sem precisar de licença própria.
Fonte: Gazeta da Semana. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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