Zoop adquirente: empresa do iFood se conecta direto às bandeiras, com R$ 155 bilhões de TPV e meta de R$ 200 bilhões
Já subadquirente, a Zoop passa a operar também como adquirente para atender marketplaces sob a Resolução 522 do BC; o iFood é o primeiro cliente da estrutura própria

Divulgação/Zoop
A Zoop, empresa de finanças embarcadas (embedded finance) do iFood, passou a operar oficialmente como adquirente, com conexão direta com as bandeiras de cartão, segundo reportagem do Startups publicada nesta terça-feira (3). A Zoop adquirente se soma aos papéis que a companhia já tinha: subadquirente, instituição de pagamento e participante direto do Pix. O iFood será o primeiro cliente da adquirência própria.
A Zoop atende hoje mais de 50 contas, entre elas iFood, Olist, Banco Cora, Banco Jota, TOTVS, Itaú, Nubank e Conta Azul, e registrou R$ 155 bilhões em volume total transacionado (TPV) nos últimos 12 meses. A meta é chegar a R$ 200 bilhões. A empresa seguirá multiadquirente: a estrutura própria entra como mais uma opção de processamento, ao lado das adquirentes parceiras, com fallback entre elas para melhorar a taxa de aprovação.
O movimento tem como pano de fundo a Resolução 522 do Banco Central, publicada em novembro de 2025, que muda as regras de gerenciamento de riscos nos arranjos de pagamento e cria responsabilidades para subcredenciadores e marketplaces. Segundo Cesario Martins, CEO da Zoop, os marketplaces precisam reorganizar os fluxos financeiros para movimentar, na liquidação, só os valores que pertencem ao próprio negócio. O próprio iFood tinha uma subadquirente para o marketplace e viu essa arquitetura mudar.
Com a Zoop como adquirente, um marketplace pode seguir como subadquirente usando a estrutura da empresa dentro de uma conta regulada. O foco inicial são marketplaces como Decolar, Sympla e OLX, além do iFood. A posição também destrava produtos para bancos, fintechs e ERPs que já são subadquirentes e, pela regra que proíbe o “sub de sub”, não podiam contratar o Tap to Pay da Zoop.
“Quando você é um grande ecossistema, precisa ter um parceiro com estrutura para ajudar em decisões complexas.”
Cesario Martins, CEO da Zoop, ao Startups
“O cliente precisa ter muita tranquilidade em relação à segurança e à governança, sabendo que vai estar na mesa quando houver mudanças na regulamentação. Quando você é um grande ecossistema, precisa ter um parceiro com estrutura para ajudar em decisões complexas”, disse Cesario. Ele afirma que a estratégia não é brigar por taxa: “A gente não faz mais do mesmo”.
Thais Redondo, diretora de Pagamentos da Zoop e do iFood Pago, diz que a adquirência foi colocada de pé em seis meses com apoio de agentes de inteligência artificial, orientados por uma base com os manuais das bandeiras, o que, segundo ela, tradicionalmente levaria pelo menos três vezes mais. A executiva afirma ainda que a Zoop será a primeira adquirente do Brasil certificada no padrão de mensagens ISO 20022.
Por que importa. a Resolução 522 obriga marketplaces e subadquirentes a separar o dinheiro que é deles do dinheiro dos lojistas, e quase nenhum quer virar instituição regulada sozinho. Quem oferece essa estrutura pronta, com split e conta regulada, ganha receita recorrente de quem precisa se adequar, e cada marketplace atendido traz junto todos os seus vendedores.
Fonte: Startups. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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