Mercado Pago: carteira de crédito sobe 62% no 3º trimestre, para US$ 17,9 bilhões, e fintech chega a 93 milhões de usuários
Balanço do Mercado Livre mostra cartão de crédito com 47% da carteira e inadimplência acima de 90 dias em 19,3%; empresa diz que ficou um pouco mais conservadora no Brasil

Furgão de entregas do Mercado Livre. Foto: Vitorperrut555/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
A carteira de crédito do Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, cresceu 62% em um ano e chegou a US$ 17,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (4). A fintech terminou o período com 93 milhões de usuários ativos por mês, alta de 29%, e US$ 25,1 bilhões em ativos sob gestão, 67% a mais, segundo a Exame.
O cartão de crédito passou de 44% para 47% da carteira. Segundo a empresa, o produto consumiu quase US$ 450 milhões de investimento em 12 meses, porque as perdas são provisionadas logo na emissão do cartão e os juros só entram com o tempo. A margem financeira ajustada pelo risco (NIMAL) caiu de 21,0% para 20,1%, e a receita do Mercado Pago desacelerou para 40% sem efeito do câmbio, ante 65% um ano antes.
A inadimplência de 15 a 90 dias ficou em 7,0%, ante 6,8% um ano antes. A de mais de 90 dias subiu de 17,6% para 19,3%, e a cobertura dessa faixa por provisões recuou de 146% para 140%. A provisão para devedores duvidosos do grupo cresceu 65%, para US$ 1,34 bilhão. O diretor financeiro, Martin de los Santos, disse à Reuters que a empresa ficou “um pouco mais conservadora” na concessão de novos empréstimos no Brasil e na Argentina, diante de um “ciclo de crédito bastante complexo” nos dois países.
Segundo Richard Cathcart, diretor de relações com investidores, a empresa reduziu o prazo máximo de crédito para alguns grupos de clientes e produtos, sem desacelerar de forma relevante a concessão. “Conseguimos olhar o risco de forma muito detalhada. Não precisamos de uma política única para todos os usuários”, afirmou à Exame. O custo para atender um cliente ativo do Mercado Pago está em cerca de US$ 1 por mês desde o início de 2025.
“Não vemos sinal de piora em nenhum produto, em nenhum país. Mas, no Brasil, há uma piora acontecendo no sistema como um todo, e estamos monitorando.”
Richard Cathcart, diretor de relações com investidores do Mercado Livre, à Exame
No grupo, a receita subiu 45%, para US$ 10,75 bilhões, e o lucro líquido cresceu 6,4%, para US$ 448 milhões, abaixo dos US$ 476 milhões esperados por analistas, segundo a LSEG. A margem operacional caiu de 9,8% para 6,3%, com frete grátis e expansão logística. A expansão do crédito levou a dívida líquida a US$ 8 bilhões, ante US$ 4,6 bilhões um ano antes; a maior parte é dívida do Mercado Pago, coberta 1,3 vez pela carteira de crédito líquida de provisões. No trimestre, US$ 2,1 bilhões foram aplicados na expansão do crédito.
Por que importa. O Mercado Pago mostra onde está o dinheiro de uma fintech de varejo: com custo de cerca de US$ 1 por cliente ao mês, quem tem a base de usuários e os dados de compra consegue transformar pagamento em crédito, e o cartão vira o produto de maior peso. A fintech menor que dominar um nicho e medir risco cliente a cliente, como o Mercado Pago diz fazer, pode crescer no crédito mesmo com a inadimplência subindo no sistema.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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